L u m i n a D i v i n a e

 

 
 
 
 

Alguns historiadores asumem a missão de recuperar no Tempo o discurso das Imagens. Certas Escolas do Mundo Antigo acharam-nas dotadas de uma voz secreta, algo apenas perceptível através de um certo olhar interior. Ao longo dos séculos, foram muitos os que seguiram de perto o fascínio dessa fala das imagens. Pela minha parte, comecei cedo a ligar-me a esse gosto pela escuta de formas, grafismos e manchas de côr; pela análise dos símbolos visuais e pela leitura intuitiva dos signos. Mais tarde, a memória dessa experiência passou a ligar-se ao meu trabalho em rádio; e o fascínio da imagem marcou alguns dos meus escritos em catálogos de artistas, exposições individuais e colectivas, ou outras iniciativas onde as conversas em torno das artes e da visibilidade iam acontecendo.

Comecei a ler imagens porque o seu fascínio me parecia verdadeiramente irresistível. Em criança fazia colagens com recortes de papel impresso e amostras de tecidos coloridos; ao decalcar figuras deslocando-as para novos cenários descobri o potencial simbólico das pequenas coisas que se escondem em gavetas para que a sua voz sobreviva com o decorrer do Tempo. Este meu apego a um certo imaginário de arquivo começou na companhia da minha Avó que reciclava materiais, inventava histórias e gostava de cantar. Ela festejava os meus progressos com os desenhos, os trabalhos manuais e o piano. A minha Mãe foi a primeira pessoa a falar-me da existência de uma História da Arte; levava-me para os estúdios da Rádio quando eu ainda mal sabia ler e me limitava a imaginar relações entre as colagens de sons, palavras e músicas que ouvia. Aí, assistia semanalmente à montagem de peças de Teatro Radiofónico. Os actores, sonoplastas e técnicos sobrepunham textos e texturas sonoras, teciam um mundo novo onde sonhos e realidade se juntavam e os sentidos se abriam para outras naturezas. O meu Pai gosta de Mozart e foi o primeiro a falar-me dos benefícios do Yoga, da Meditação e da sua ciência milenar da respiração, o pranayama. Ele ensinou-me a escutar o som do silêncio.

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Existem pedaços móveis da nossa memória aparentemente semelhantes às folhas cambiantes do Outono, mudando de forma e adquirindo novos sentidos sob a acção da Luz. Os mestres pintores da Renascença sabiam dessa função demiúrgica da iluminação como factor de conhecimento e usaram-na sabiamente na arte da representação; habitando interiores arquitectónicos, corpos e paisagens de uma modernidade em construção. Sensível a este espírito, comecei a coleccionar reproduções das obras mais e menos conhecidas dos sécs XV-XVI, apenas segundo a sua carga simbólica e ligação à bacia do Mediterrâneo. Alguns anos mais tarde, recuperei esta mesma ideia de constituição de um arquivo pessoal através da colagem e associação simbólica de imagens. Inventei o Jardim do Oráculo como um sítio mutante e sideral com diferentes recantos onde se exercita o gosto pela arte e pelos jogos de sentido. Imaginando que o visitante do jardim atravessa portais sucessivos à medida que vai caminhando, cada lugar corresponde a uma área específica. Um lugar onde a capacidade de religar elementos visuais e narrativos acontece como nas Páginas de um Livro onde se descobrem inscrições sem data de criação específica, votos esquecidos .

Aqui no Jardim do Oráculo existe uma Feitoria Mágica onde se abrem os meus Livros de Colagens. Também é lá que se consulta o Oráculo para rever o mundo através de constelações de imagens que povoam o imaginário com raíz latina. Mas existem outros capítulos ligados à dimensão real e autónoma do meu trabalho em Rádio que também só acontece pelo outro lado do fascínio: o da descoberta dos sinais do Outro.

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Nos retornos ao meu Jardim interior fui continuando a reabrir velhas gavetas. Descobri que alguns dos recortes que guardara se tinham inesperadamente reagrupado entre si, adquirindo novas identidades; formando uma rede de pequenos ícones estranhamente legendados. Eram as tais reproduções anónimas de pinturas da Renascença - ou apenas alguns fragmentos vincados e amarelecidos - que guardara durante anos e que agoram pareciam animadas de um novo sopro. Essas figuras recortadas coabitavam entre si, despertando o tal exercício do olhar interior aberto à descoberta do discurso das imagens. A revisitação desse arquivo foi ganhando a forma de um ritual e os recortes alinharam-se sob a forma de um baralho de cartas dotado de vida própria. Guardei-os numa bolsa de seda, enrolados num lenço alaranjado recém-chegado da Índia. A cada vez que a gaveta se abria, eu recomeçava esse jogo de construção de sentidos simbólicos, associando conceitos da arte e dos arquétipos de acordo com,uma nova ordem de leitura. Foi assim que desenhei a minha relação com o universo mágico da Antiguidade e da Renascença.

Nasceu assim o primeiro oráculo de 22 cartas que baptizei de LuminaDivinae ... .

... para celebrar o carácter arquétipico das imagens que associamos à velha cultura latina onde Oriente e Ocidente cruzam as suas marcas. Coloquei esse jogo experimental na rede em finais de 2004, apenas pelo gosto da partilha. Tudo começou pelo prazer de inventar um pequeno baralho de cartas e, mais tarde, a galeria pública das imagens de gaveta estendeu-se a outras reproduções de pinturas renascentistas que fui trabalhando e reenquadrando conceptualmente. Ao longo dos últimos dois anos entreguei-me a esse e a outros trabalhos de restauro digital e recomposição visual e silenciei-me num recanto deste Jardim do Oráculo virtual; mas as mensagens de encorajamento que fui recebendo de todos os cantos do Mundo trouxeram-me o alento necessário à transformação deste simples artefacto em projecto editorial.

Centenas de visitantes e amigos consultam o ArTarot diariamente inspirando-me a responder pessoalmente a novas questões. Comecei a escrever novos textos sobre arte e simbologia divinatória e decidi refazer a arte final do baralho de cartas LuminaDivinae (isso que o linguísta António Carlos Machado simpaticamente traduziu como As Luzes da Deusa, perante o meu espanto). Comecei por pensar em publicar uma edição de autor direccionada aos amigos e interessados; mas foi nessa altura que recebi um email inesperado com o convite de publicação por parte de uma editora americana. Confesso-vos, no entanto, que ainda hesito perante a hipótese de tentar a edição em língua portuguesa.

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A origem dos rituais e jogos divinatórios permanecerá sempre escondida na noite dos tempos. Construimos sentidos e narrativas que informam as imagens com que nos vamos cruzando na vida e recriamos cenários mentais em busca do sentido das coisas. Cumprimos rituais desde sempre.

O jogo LuminaDivinae obedece a uma função maioritariamente lúdica, pedagógica e informativa porque utiliza a obra de grandes mestres pintores em associação com a tradição oracular da Europa Renascentista. Sabemos desde há muito que as práticas divinatórias eram mesmo habituais no seio das cortes europeias da Renascença - as mesmas que assistiram ao nascimento das obras reunidas neste baralho. E sabemos que a descodificação do sentido das imagens acompanha a evolução da alma humana. As 78 cartas ilustradas que criei são inspiradas pelos jogos de Tarot da velha Europa pois o baralho segue uma ordem de divinização do mundo presente nas sensibilidades do tempo em Itália, França, Espanha e Portugal. Assumi uma recta de viagem que parte livremente desde o séc. XV em diante. Esta é a base da estrutura interna do baralho LuminaDivinae . Foi também a pensar na divulgação desse universo cultural e místico onde os velhos saberes de Oriente e Ocidente se integravam, que organizei o pequeno livro que acompanhará idealmente as 78 cartas. Mais do que um manual de técnicas de lançamento e significados, ele formula um convite à reinvenção do próprio jogo de Tarot, de acordo com a sensibilidade de cada leitor. É um trabalho de Atelier e Scriptorium que assenta na relação entre palavra e imagem.

Chamo-lhe LuminaDivinae ArTarot porque resulta das minhas experiências de composição por colagem e restauro digital, sem corromper o carácter essencial de cada imagem (já que os propósitos educativos do jogo assentam no reconhecimento das obras renascentistas). Uma grande parte dessa tarefa está necessariamente marcada pelo contributo de inúmeros autores internacionais que fui lendo, conhecendo ou até entrevistando em programas de rádio. Mas todo o processo criativo das cartas e do livro foi também marcado pelo contributo - e pela partida - da minha amiga Celina Fioravanti que tanto me inspirou com os seus conselhos e apoio no decurso das etapas do caminho.

Iniciei um novo ciclo de trabalho com a realização da edição bilingue em português | inglês do baralho e do livro, incluindo novos símbolos e novos esquemas de lançamento e leitura das imagens. As visitas nacionais e internacionais de leitores, ouvintes e amigos colocam-me ainda desafios inesperados, como por exemplo o da extensão das Leituras Meditativas do Tarot e da organização de Cursos e Workshops a um círculo on-line e on-life bem concreto.

.Nada disto teria sido possível sem a vossa presença regular e sem as mensagens partilhadas nos recantos do Jardim do Oráculo!.

... e "Para quando a publicação do jogo? Quando e onde poderemos comprá-lo?".A pergunta começou a surgir quase diariamente por parte de muitos amigos pessoais e visitantes do Jardim do Oráculo, mesmo quando nos cruzamos apenas por causa dos programas de Rádio. Na verdade, a resposta é bem simples.

Em Setembro de 2006, quando pensava publicar o jogo em edição de autor - com exemplares numerados e endereçados aos tais amigos próximos e alguns interessados -, recebi uma proposta irrecusável por parte de uma editora americana. A simpatia e o apoio demonstrados pela minha nova agente foram tão tocantes que não pude deixar de aceitar o convite. Porém, isso implicaria uma revisão total das artes finais e a concepção de uma nova embalagem para a versão bilingue das cartas e do manual, agora mais aprofundados.

"Acho que não vou conseguir, devo estar a precisar de uma ajuda das "Luzes da Deusa!" As coisas pareciam escapar-me realmente por entre os dedos. Na altura fiquei deveras assustada com a tarefa que me esperava, dividindo-me entre os programas de Rádio, as colagens, as aulas de Yoga e Meditação, o estudos de Hindi, as Sessões de Leitura e Meditação Individuais ... e a atenção às pessoas de quem mais gosto e que me fazem sentir que tudo vale a pena. A páginas tantas, resolvi procurar respostas nas próprias imagens de cada carta. Elas falaram assim: "Os oráculos são instrumentos de clarificação e a arte procura expandir a nossa percepção do real. Ambos traçam pontes entre os diferentes patamares da nossa consciência. LuminaDivinae (i.e. "As Luzes da Deusa"), ilustra as diferentes etapas dessa busca de iluminação interior. Trabalha o conceito das cartas durante os próximos dois anos".

Na verdade, findo o primeiro ano de trabalho, terminei o livro. Inclui nele algumas linhas mais sobre a arte da Renascença, refiz a capa e completei a simbologia das cartas. De momento o conjunto do baralho e livro o LuminaDivinae estão finalmente prontos para publicação, aguardando apenas a resolução de algumas questões contratuais - leia-se afectivo-legais - que me fazem hesitar entre a publicação em língua Portuguesa e Inglesa.

Em resumo, meu querido(a) Visitante e Amigo(a), embora não possa ainda apontar uma data exacta para a publicação do jogo posso garantir-vos que existem algumas novas propostas para 2008!

~ O Jardim do Oráculo vai incluir novos escritos sobre Arte e Simbologias Divinatórias!

~ Vai poder assinar A Circular do Jardim para estar em contacto permanente com todas as notícias referentes às actualizações do sítio, aos novos produtos, acompanhando as etapas de publicação do LuminaDivinae ArTarot !

~ A Feitoria Mágica vai disponibilizar mais informação sobre o seu primeiro Curso de Tarot, Consultas e Workshops. A estrutura das diferentes secções vai ajudar cada um de vós a conhecer melhor as bases gerais de trabalho e leitura das imagens que estiveram na origem do LuminaDivinae ArTarot, para além de apresentar uma visão alargada das diferentes tradições divinatórias e das das possibilidades lúdicas e educativas do baralho!.A estrutura do Curso vai ser brevemente divulgada aqui mesmo!

~ O Jardim do Oráculo oferecerá novas Consultas Gratuitas a todos os seus amigos e visitantes com Novos Esquemas de Leitura orientados para diferentes áreas temáticas!

~ Vai poder abrir a Caixa de Surpresas e descobrir novas ofertas, participar em jogos e sorteios ou adquirir pequenos presentes !

~ Poderá enviar um email para Agendar uma sessão pessoal de Meditação & Leitura dos Arquétipos do Tarot!...

| Novo: visite a Feitoria Mágica para conhecer o meu Código Ético para a utilização profissional das cartas de Tarot e saber mais sobre o carácter das minhas Leituras |

O sítio da LuminaDivinae é um trabalho em constante progresso que abre páginas para novas apostas e possibilidades. Funciona como um livro em construção cujos capítulos dão espaço a novos olhares e perspectivas com base em temas de Arte, Comunicação e Simbologia.

Mantenha os seus elos de ligação actualizados e contacte-nos sempre que quiser obter alguma informação adicional sobre cada um dos trabalhos apresentados. Aqui pode partilhar ideias, opiniões e gostos pessoais, sabendo que recebemos as suas palavras como testemunhos de confiança. As respostas a cada email são sempre personalizadas e todos os elementos recebidos permanecem absolutamente confidenciais sem que nenhuma informação ou contacto enviados sejam alguma vez vendidos ou cedidos a terceiros.

No Jardim do Oráculo será sempre um prazer receber a sua visita e saber de si !!!

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