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Algumas notas a considerar ...

 
 

I

O meu interesse pela história da arte e das religiões, comunicação e simbologia tem traçado o meu percurso pessoal. Encaro o Tarot e as estruturas oraculares tradicionais como objectos de estudo sob o ponto de vista da história da arte e da cultura, mas também como instrumentos recriativos, elementos de reinterpretação plástica e ferramentas de desenvolvimento pessoal. Acredito que a análise das 78 cartas ricamente ilustradas de um baralho de Tarot podem promover a ampliação do conhecimento sobre a história do simbolismo e do pensamento mágico no Ocidente, a sensibilidade e a intuição. Defendo que a fruição da imagem e a meditação sobre o seu valor estético - onde a percepção sensível e o pensamento se cruzam - poderá contribuir para um maior conhecimento do Sujeito na sua relação com o Mundo. Como tal, não utilizo a imagens com fins puramente divinatórios nem considero o Tarot como um mero jogo de adivinhação.
Interpreto o Tarot como Metáfora e estrutura narrativa de carácter arquétipico e mítico susceptível de aplicação em processos meditativos.
Utilizo o Tarot na sua dupla função simbólica e narrativa como instrumento de reflexão sobre o Sujeito na sua relação com o Todo; não busco adivinhar a sorte, mas sim incentivar a visão criativa que facilite uma expressão harmoniosa da natureza individual.

II

Considero cada Leitura de Tarot como um acto privado durante o qual são analisados os valores simbólicos de algumas cartas no conjunto de 78 imagens que constituem o baralho, estabelecendo um paralelismo com a história individual. Tratando-se de um jogo cuja origem se situa nos primórdios da Renascença, as ilustrações tradicionais de um baralho são sempre dotadas de uma forte carga cultural. Assim sendo, tal como acontece co caso de outras estruturas oraculares visualmente conotadas, o Tarot reflecte uma perspectiva culturalmente implicada que não deve ser lida de modo literal. Quando aplicadas a uma situação definida, as imagens, cargas simbólicas e associações indiciadas por cada carta devem apenas facilitar a re-leitura do valor potencial da experiência.
O Tarot deve favorecer uma visão positiva e criativa promovendo o desenvolvimento da consciência.

III

Por mera opção pessoal, leio as imagens do mundo como objectos dotados de valor histórico, cultural e simbólico. Analiso as imagens da arte, da publicidade e dos media do mesmo modo que percebo as imagens do Tarot: observo para escutar a mensagem que cada uma delas me transmite.
A utilização lúdica, recreativa e ritual das cartas do Tarot possui mais de 500 anos e a produção de baralhos de cartas estendeu-se pela bacia do Mediterrâneo. As cartas do Tarot são usadas ainda hoje de modo similar ao bridge e continuam a ter uma expressão importante nalguns círculos de adeptos. A sua utilização com fins divinatórios parece ter surgido nos sécs. XVIII e XIX, disseminando-se pelos salões das cortes Europeias. Assim sendo, as 78 imagens do baralho de cartas tradicional conjugam informações associadas ao imaginário judaico-cristão e à caracterização de tipos sociais e hierarquias temporais, à herança Greco-Romana e ao Mundo Antigo.
A minha visão do Tarot integra os seus aspectos artísticos, lúdicos e criativos e está presente na concepção do meu baralho de cartas pessoal LuminaDivinae. O meu sistema de leitura integra elementos da tradição Cabalista, Numerologia e Psicologia dos Arquétipos Jungianos por ser baseado nas tradições do pensamento europeu.
Utilizo o Tarot como instrumento narrativo de re-ligação do Eu com o Mundo, promovendo uma Leitura Meditativa da imagem. Qualquer elemento que ultrapasse a interpretação histórica e simbólica da imagem deriva de uma abordagem intuitiva e subjectiva decorrente da interacção estabelecida entre o Leitor e o seu Cliente.

IV

Interpreto o Tarot como um alfabeto visual e simbólico, considerando o seu grafismo e valor sígnico a par da composição cromática de cada imagem. Este alfabeto constrói linhas narrativas que espelham o valor potencial de cada momento na linha do tempo. O Tarot possui um valor configurativo e prefigurativo que perspectiva contextos susceptíveis de alteração.
O meu sistema de Leitura Meditativa do Tarot assenta no desenvolvimento da capacidade de escolha pessoal e nunca se sobrepõe ao exercício individual do livre arbítrio. Cada Sujeito deve ser conscientemente responsável pelas suas acções, decisões e percurso de vida.
V
Cada uma das minhas Leituras do Tarot nunca poderá substituir o recurso a atendimento especializado nas áreas do Direito, Saúde, Finanças e outras áreas científicas ou de conhecimento especializado. Trata-se aqui, não de uma oposição pessoal por mim imposta ao âmbito do Tarot, mas de um alerta consciente lançado a todos quantos o utilizam: as cartas do oráculo não devem ser os únicos elementos de análise de uma determinada situação e o Consultor nunca deverá ultrapassar as competências para as quais se encontra qualificado, sob risco de imputação de culpa com possíveis consequências legais.
O Tarot deve promover apenas uma visão global, abrangente e aproximativa da experiência sem recurso a estratégias de extrapolação, manipulação e co-dependência.
VI
Tratando-se de um momento de partilha e interacção pessoal entre o Leitor e o seu Cliente, a consulta permanecerá estritamente confidencial. Os contactos e quaisquer elementos relativos a clientes nunca serão revelados, cedidos ou vendidos a terceiros.
Encaro com respeito e cuidado equitativos todos quantos me contactam; sem excepção de raça, situação económica, quadro social ou credo.
VII
Na sequência do acima exposto, interpreto cada Leitura como um momento de reflexão isento de juízos sobre comportamentos, situações ou elementos factuais. Também por este motivo, não realizo consultas a menores de 18 anos não acompanhados presencialmente pelos Pais. Ainda assim, as leituras realizadas a sujeitos menores nunca lhes devem ser impostas, celebrando-se apenas por vontade expressa dos mesmos em acordo com as suas figuras tutelares. A solicitação de consultas realizadas a menores deve ser acompanhada de uma declaração escrita comprovando objectivamente a sua solicitação e o fim a que se destina.
Um Consultor de Tarot não substitui nem deverá constituir-se como figura de autoridade moral e/ou intelectual.
A capacidade de análise e de escolha individual deve permanecer estritamente livre e independente relativamente à hipotética posição subjectiva do Leitor de Tarot. Este deve promover um discurso isento ao longo da Consulta.
VIII
A Leitura Profissional do Tarot exige estudo e qualificação próprios, podendo sujeitar-se - consoante os diferentes Países - a critérios de formação e avaliação estabelecidos por orgãos e sujeitos qualificados. A nivel pessoal, entendo igualmente que toda a actividade deve oferecer garantias morais e profissionais, devendo ser exercida com conhecimento, legitimidade legal e humildade.
Aconselho todos os que me procuram pela primeira vez a consultarem o meu Código de Ética para a Leitura do Tarot e a colocarem as suas dúvidas e pedidos de esclarecimento sobre o Tarot e o meu trabalho desde o primeiro momento.
Acrescento ainda que estas linhas expressam apenas a minha visão pessoal da Leitura do Tarot: tomam como referência o Código Ético da ATA - American Tarot Association para além de outros orgãos formativos de carácter internacional. Fundamentam-se na minha experiência e sensibilidade pessoais e não visam constituir-se como lei. Os meus critérios de actuação não visam regular nem avaliar a actividade desempenhada por outrém.

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